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Mãe superprotetora + pai ausente = filho dependente


Essa fórmula explosiva me foi passada por um psicólogo amigo, que trabalha com recuperação de dependentes na Família de Caná. E me contou o caso da mãe que estava se acabando para ajudar o filho; separado da mulher, vivendo dentro da casa da mãe, ele não ganhava o suficiente para as baladas, de que não abria mão, além de outras despesinhas pessoais. Eu quase não acreditei e acho que você vai cair o queixo: a mãe já passa dos oitenta e o “filhinho” tem mais de cinquenta anos.
Você vai dizer – e é verdade – que esse é um caso patológico; todos os casos de superproteção materna são patológicos. Há, porém, formas mais brandas, como a das mães que correm o dia inteiro atrás do menino gritando “desce daí que você vai cair”; “eu te levo de carro, porque os ônibus andam lotados”; “não pode ir na festa do coleguinha... por isso ou por aquilo”. Ou não tão brandas, como a das mães que “protegem” o filho(a) dos professores, das noras/genros, do patrão – todos eles sempre malvados; ou daquelas que disponibilizam mesadas, sob a forma de empréstimos que nunca são pagos, ao coitado do filho adulto, com diploma universitário, que não ganha o suficiente para o supérfluo e o luxo, por incompetência ou acomodação.
Já o pai ausente, é um problema sócio-cultural. O papel do pai continua sendo o de provedor, aquele que se desdobra para botar em casa roupa e comida, livro e remédio, se possível algum conforto sob a forma de TV, geladeira, telefone, carro, e outros itens que o apelo consumista buzina no nosso ouvido ou enfia pelos nossos olhos sem dó nem piedade. E toma jornadas de trabalho dobradas ou triplicadas, horas extra, bicos nos feriados, férias vendidas... Para piorar, a moradia longe do trabalho, o transporte coletivo ineficiente, o trânsito engarrafado, que roubam preciosas horas ao repouso, ao lazer e ao convívio com a família. E a mãe banca sozinha as tarefas de educadora e cuidadora. Não podemos ser saudosistas e chorar um tempo em que o pai almoçava com a família e estava em casa pontualmente às sete oito horas da noite, jantava, via televisão e sobrava tempo para curtir a garotada. Outros tempos...
E como contraponto à mãe superprotetora, hoje já podemos falar também da “mãe ausente”, aquela que em nome da realização profissional ou da necessidade de complementar o orçamento doméstico – sem dúvida alguma causas justas e nobres – assumem dupla jornada de trabalho: as lidas da casa e as exigências profissionais.
Há como romper esse círculo cruel? É claro. E quem dá a receita é Stephen Kanitz, administrador de empresas e antigo articulista da revista Veja: colocar a família em primeiro lugar!...
Ele ressalta: "Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem – ou querem - arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar mais ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: ‘Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar’". Os ingredientes dessa receita cabe à criatividade e à capacidade de amar de cada pai/mãe escolher.
Vou reproduzir uma historieta. A diretora de uma escola, numa reunião de pais, ensinava que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveria achar um tempinho para se dedicar às crianças. Ficou muito surpresa quando um humilde operário explicou que não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana. Quando saía para trabalhar, o filho ainda estava dormindo e quando voltava, já muito tarde, o garoto não estava mais acordado. Isso o deixava angustiado, e tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites; e dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Quando o filho acordava e via o nó, sabia que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.
A dependência que resulta dessas atitudes nem sempre, mas muitas vezes, é a dependência do álcool e outras drogas, a preencher o vazio deixado por um amor materno/paterno mal compreendido. Igualmente nocivo é o resultado de filhos que crescem robustos fisicamente e se tornam anões psicológicos, porque não souberam ou não quiseram romper o cordão umbilical que os mantém presos à mãe. Ou a compensação da falta do diálogo familiar pela interação com os aparelhos eletrônicos ou as redes sociais. E se cria uma família nova, em que o elo não é certamente o amor.
José Wagner Leão
paroquiano de São Judas e assessor de Comunicação da Família de Caná

 
  José Wagner Leão
Assessor de Comunicação da Família de Caná

Artigo publicado em 20/10/2013


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